Famílias empresárias enfrentam desafio de alinhar crescimento patrimonial ao avanço das gerações

Primeiro Encontro do Conselho de Lideranças Familiares da CFEG Recife debateu estratégias para crescimento de ativos e evolução patrimonial. Especialista aponta governança, mapeamento de ativos e preparo de herdeiros como fatores-chave para longevidade dos negócios familiares

O crescimento dos ativos nas famílias empresárias tem se tornado um dos principais desafios para a longevidade dos negócios no Brasil. Mais do que expandir empresas, o tema envolve equilibrar o avanço patrimonial com o crescimento natural das famílias – uma dinâmica que exige estratégia, governança e visão de longo prazo. Esse foi o foco do primeiro encontro de 2026 do Conselho de Lideranças Familiares da Cambridge Family Enterprise Group (CFEG Recife), realizado no RioMar Trade Center, no Recife, com a participação do consultor sênior da CFEG Brasil Felipe Martin.

Durante o debate, Felipe Martin destacou que famílias que conseguem atravessar gerações com sucesso costumam estar apoiadas em três pilares: união, talentos e crescimento. O primeiro está relacionado à construção de um propósito comum entre os membros da família. O segundo envolve a identificação e desenvolvimento de competências, tanto dentro quanto fora do núcleo familiar. Já o terceiro – objeto deste primeiro encontro – diz respeito à capacidade de fazer o patrimônio crescer de forma compatível com a evolução da própria família.

“O crescimento dos ativos precisa acompanhar o crescimento da família, que tende a ocorrer de forma exponencial. Já os negócios, em geral, crescem em ritmo mais limitado, e muitas vezes está condicionado ao mercado e à economia”, explicou o especialista

Esse descompasso, segundo ele, pode gerar pressão sobre o negócio, especialmente quando o padrão de consumo das novas gerações aumenta ao longo do tempo. Com mais membros e maior demanda por recursos, cresce também a necessidade de geração de caixa e liquidez – o que torna o planejamento patrimonial ainda mais estratégico.

Outro ponto central do debate foi a falta de clareza sobre o portfólio de ativos das famílias empresárias. Muitas vezes, os negócios são criados ou adquiridos ao longo do tempo sem uma visão estruturada do conjunto, o que dificulta decisões estratégicas. “As famílias constroem portfólios relevantes, mas nem sempre têm consciência do que possuem, do desempenho desses ativos ou de como estão sendo geridos”, afirmou.

O mapeamento detalhado do patrimônio – incluindo empresas, participações, ativos financeiros e recursos disponíveis – surge como uma prática essencial para organizar esse cenário. A partir desse diagnóstico, é possível avaliar a eficiência da alocação de recursos, identificar oportunidades de melhoria e até decidir pela continuidade ou descontinuidade de determinados negócios.

Nesse contexto, também ganha relevância a discussão sobre decisões influenciadas por fatores emocionais. Martin chamou atenção para situações em que negócios são mantidos mais por apego familiar do que por desempenho econômico. “Há casos em que empresas são preservadas para manter membros da família envolvidos, mesmo sem gerar retorno adequado, o que pode comprometer o portfólio como um todo”, observou.

A ausência de uma visão integrada do patrimônio também pode levar à fragmentação da gestão. Quando diferentes membros assumem negócios isoladamente, sem alinhamento estratégico, surgem estruturas paralelas que dificultam decisões racionais, especialmente em momentos de crise ou de necessidade de alocação de capital.

Para mitigar esses riscos, a governança aparece como elemento central. Segundo o especialista, estruturas bem definidas permitem organizar discussões, alinhar expectativas e estabelecer critérios claros para investimentos e distribuição de recursos. “A governança cria um espaço estruturado para discutir o portfólio, priorizar investimentos e equilibrar as demandas da família e do negócio”, destacou.

Ao reunir lideranças familiares para discutir esses temas, a CFEG Recife reforça a importância de estruturar o crescimento patrimonial de forma consciente e coordenada – um movimento cada vez mais necessário diante da complexidade das empresas familiares no cenário econômico atual.

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