ELEIÇÃO 2026: O mito do “todo-poderoso” e a verdade sobre o seu voto
O brasileiro tem o hábito de olhar para a política como se estivesse assistindo a um jogo onde só o técnico (o Prefeito, o Governador ou o Presidente) entra em campo. Se o time perde, a culpa é dele. Se ganha, o mérito é dele. Mas essa visão é, no mínimo, ingênua. Governar não é um ato solitário, é uma construção coletiva onde o Legislativo tem a última palavra.
O exemplo da escala 6×1: Onde o poder realmente trava
Quer um exemplo real do que acontece hoje no Brasil? Veja a discussão sobre o fim da escala 6×1. Muitas pessoas cobram o Presidente, como se ele pudesse simplesmente estalar os dedos e mudar a lei. Mas a realidade é outra: um projeto desse porte precisa tramitar, ser debatido e, acima de tudo, ser votado pela maioria da Câmara dos Deputados e do Senado.
Se o projeto avança ou se ele morre nas gavetas do Congresso, a responsabilidade é, prioritariamente, dos parlamentares. Eles têm o poder de pautar o que é importante e têm o poder de barrar o que não interessa ao grupo deles. O Presidente, o Governador ou o Prefeito não governam sozinhos; eles precisam de uma maioria na Câmara para transformar qualquer projeto em realidade.
A parceria que você não vê
É fundamental que o eleitor entenda:
1. Se o Prefeito faz uma obra ou um projeto,* é porque ele teve a conivência ou a parceria da Câmara de Vereadores.
2. Se o Governador muda uma lei,* é porque a Assembleia Legislativa deu o sinal verde.
3. Se o Presidente não consegue aprovar uma pauta,* é porque o Congresso, que tem o verdadeiro poder de freio, não deu o apoio necessário.
Na verdade, o Legislativo tem, em muitos casos, mais força do que o próprio gestor. Eles podem derrubar vetos, podem aprovar leis que o Executivo não quer e podem travar qualquer orçamento.
Não seja enganado pelo “boi de piranha”
O que acontece, historicamente, é que o eleitor foca toda a sua frustração na “vitrine” (o Prefeito ou o Presidente). É fácil crucificar quem está na frente. Mas, enquanto você foca apenas em trocar o “nome” que está no Executivo, o sistema continua o mesmo: os mesmos vereadores, deputados estaduais e federais, muitas vezes encastelados há décadas, continuam lá, trocando de lado conforme o vento, mas sempre mantendo o poder de decidir o que vai ou não acontecer na sua vida.
Em 2026, não vote apenas no “rosto” que aparece na TV. Entenda que, ao votar, você está escolhendo quem vai dar sustentação ao governo. Se o governo erra, a Câmara foi cúmplice. Se o governo acerta, a Câmara foi parceira.
Pare de olhar apenas para o gestor. O verdadeiro poder está nas mãos de quem vota as leis. Não deixe que usem o gestor como “boi de piranha” para esconder aqueles que estão no Legislativo há 20 ou 30 anos, travando o Brasil e impedindo o país de crescer.
Seja um eleitor consciente: o pão inteiro é direito seu, e quem segura a faca para cortar esse pão é o Legislativo.
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