A Invisibilidade do Abismo: Por que a proteção da mulher precisa ser pauta prioritária em 2026
JPCOBIROSCA
Os números são frios, mas a realidade é devastadora. O DataSenado aponta que 3,7 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência de gênero recentemente. No entanto, os registros da rede pública de saúde mostram que apenas 1,2 milhão de mulheres foram atendidas.
Onde estão as outras 2,5 milhões de mulheres?
Esse abismo estatístico não é um mero erro de contagem; é a prova de um sistema que falha em chegar onde a dor acontece. Quando quase dois terços das vítimas não acessam a rede de proteção, fica claro que o caminho da denúncia está bloqueado pela burocracia, pela falta de estrutura e, principalmente, pela ausência de empatia.
A mulher que sofre violência doméstica não precisa apenas de um boletim de ocorrência; ela precisa de uma rede que a acolha no momento em que ela decide romper o ciclo. Quando ela busca a delegacia e encontra um atendimento seco, protocolar e sem a sensibilidade de uma equipe multidisciplinar (assistentes sociais e psicólogos, como preconiza a lógica da proteção integrada), o Estado a abandona. Se ela vê que outras mulheres acumulam dez, doze boletins de ocorrência e continuam sendo agredidas, ela entende a mensagem: o Estado é impotente.
Estamos entrando em um período eleitoral decisivo em 2026. Governadores, deputados, senadores e presidenciáveis virão às ruas buscar votos. A segurança pública e a proteção das famílias brasileiras não podem ser tratadas com promessas vagas. O eleitor não quer mais discursos sobre “leis”, pois a lei já existe. Nós queremos ações.
Qual candidato tem um projeto concreto para integrar a assistência social nas delegacias da mulher? Quem vai garantir que o atendimento policial saia da era da burocracia e entre na era do acolhimento humano? Quem vai assumir a responsabilidade de reduzir esse abismo entre os 3,7 milhões de vítimas e o atendimento que o Estado oferece?
A violência contra a mulher é, também, um problema de gestão pública e de falta de prioridade política. Em 2026, não votaremos em quem apenas diz que se importa. Votaremos em quem provar que tem a estrutura, a técnica e, acima de tudo, a humanidade necessária para salvar as 2,5 milhões de brasileiras que hoje estão invisíveis para o Estado.
A burocracia mata, mas a omissão política é quem assina o atestado de óbito. Vamos cobrar.
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