O policial da esquina não pode ser um estranho: o fim da “Cultura do 190” para quem já está no local
JPCOBIROSCA
A burocracia que paralisa a ação
Sabemos que o 190 é o canal oficial de atendimento, mas ele não pode ser um escudo para a omissão. É inaceitável que o cidadão aborde uma viatura que está fazendo patrulhamento de bairro — muitas vezes parada, em ronda ostensiva — e receba como resposta: “ligue para o 190”. Enquanto o cidadão precisa explicar, responder perguntas e esperar o despacho da central, a oportunidade de agir se perde. O criminoso foge, a agressão acontece, a vida se esvai.
A Realidade das Ruas
Viaturas de ronda não estão apenas “passando”. Elas representam a segurança daquela comunidade. Se um cidadão recorre a um policial que está ali, a centímetros dele, é porque o perigo é imediato. Forçá-lo a ligar para uma central é ignorar o princípio básico da segurança pública: a presença preventiva e a ação reativa imediata.
A Proposta: “Policia de Proximidade e Prontidão”
Não pedimos que o policial abandone suas funções, mas que o protocolo de atendimento seja revisado pelas Secretarias de Segurança Pública:
1. Protocolo de “Atendimento Direto”: Viaturas de patrulhamento de área devem ter autonomia e obrigação de atender ocorrências presenciais imediatas de risco à vida, sem a necessidade de esperar o despacho do COPOM/190. O rádio deve servir para comunicar a ação, não para pedir permissão para ajudar alguém que está pedindo socorro na frente da viatura.
2. Fim da Inércia: Se a viatura não está em uma missão de urgência com sirene ligada, ela está disponível. O cidadão que aborda o policial em ronda está exercendo seu direito de pedir proteção. Negar esse atendimento é negligenciar o juramento de proteger a sociedade.
3. Treinamento de Escuta Ativa: O policial de bairro precisa saber avaliar a urgência. Se o cidadão relata um perigo iminente, o policial é o primeiro respondente. O Estado não pode estar presente fisicamente e ausente na prática.
Segurança pública não se faz apenas com estatísticas e centrais telefônicas, se faz com a confiança mútua entre quem protege e quem é protegido. Quando um policial de ronda vira as costas para um pedido de socorro, ele enfraquece a confiança de toda uma comunidade. Queremos viaturas de bairro que sejam parceiras do cidadão, e não apenas espectadoras burocráticas da insegurança. O 190 é uma ferramenta de auxílio, não uma desculpa para a omissão.
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