Catadoras de materiais recicláveis protagonizam livro sobre sustentabilidade e força feminina
No mês em que se celebra o Dia Mundial da Reciclagem (17/5), obra traz a pernambucana Roberta de Santana Cardoso entre as personagens retratadas
Catadoras de materiais recicláveis, que representam 70% da força de trabalho dos cerca de 800 mil trabalhadores do setor no Brasil, segundo o Movimento Nacional de Catadores e Catadoras de Recicláveis (MNCR), ganham protagonismo no mês em que é celebrado o Dia Mundial da Reciclagem (17/5). O livro Mulheres que Reciclam o Futuro dá voz e rosto a 25 trabalhadoras de diferentes estados do país, reunindo histórias de coragem, superação e resiliência, marcadas por um trabalho articulado em torno do cuidado e da preservação, que reinventam suas próprias vidas e os territórios onde atuam.
A publicação aborda os desafios enfrentados por essas mulheres e reforça o papel da reciclagem como motor essencial para a economia e o meio ambiente. Realizada pela Rede Educare, com patrocínio da Novelis via Lei de Incentivo à Cultura, a obra será lançada no dia 20 de maio, em Brasília, e poderá ser baixada gratuitamente no site Rede Educare ou adquirida em versão física.
A Novelis, líder mundial em laminação e reciclagem de alumínio, mantém, no Brasil, uma operação que conecta a indústria recicladora dos elos iniciais da cadeia de reciclagem, valorizando e reconhecendo a atuação de cooperativas, catadores e catadoras. “As histórias apresentadas mostram que a reciclagem vai muito além do material, ela transforma vidas. Para a Novelis, é um orgulho apoiar uma iniciativa que reconhece as catadoras como agentes essenciais da preservação ambiental e da criação de um presente e futuro mais sustentáveis. Juntas, ao lado de mais 800 mil pessoas, elas impulsionam a economia circular no país e transformam resíduos em oportunidade, renda e dignidade”, afirma Eunice Lima, diretora de Comunicação e Relações Governamentais da Novelis América do Sul.
A escritora Viviane Mansi dá voz às histórias das catadoras brasileiras a partir de uma escuta cuidadosa e de uma escrita sensível, que desconstrói visões simplificadas e estigmatizadas sobre a realidade dessas mulheres, evidenciando que muitas delas foram levadas ao trabalho com resíduos por contextos de vulnerabilidade e encontram nesses espaços fonte de renda, acolhimento e pertencimento. A obra também se expressa na linguagem fotográfica de Magali Moraes, que amplia e aprofunda essas narrativas.
“Muitas vezes, a gente está distante dessa realidade e tem menos empatia simplesmente por não conhecer. O livro tenta fazer essa conexão entre o que se imagina e o que é real, para provocar um olhar mais cuidadoso e empático sobre essas mulheres que, em sua maioria, estão nesse trabalho e, ainda assim, seguem fazendo o melhor que podem com o que têm. É sobre elas e, especialmente, sobre o impacto que a gente gera no mundo e na vida das pessoas ao nosso redor”, afirma a escritora.
“A reciclagem no Brasil tem rosto de mulher. São elas que, no cotidiano invisível, estruturam a base real da sustentabilidade no país, muito antes de qualquer política pública reconhecer”, destaca a CEO da Rede Educare, Kátia Rocha.
Vidas transformadas – Uma das histórias retratadas é a de Roberta de Santana Cardoso, 51 anos. Filha de uma catadora de materiais reutilizáveis, cresceu acompanhando de perto a realidade da profissão nas ruas de Recife. Sua trajetória na catação começou aos 19 anos, após o nascimento do primeiro filho, quando passou a trabalhar para ajudar no sustento da família. Durante mais de 10 anos, atuou na atividade nas ruas da cidade até se aproximar do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, onde passou a atuar na organização dos trabalhadores da categoria. Roberta é uma das fundadoras da Pro-Recife, cooperativa da qual hoje é presidente.
“Eu criei sete filhos puxando carroça na rua. A dificuldade é grande, mas nunca faltou comida dentro de casa”, relembra. Ela destaca a importância da organização em cooperativas para garantir dignidade e melhores condições de trabalho e defende mais reconhecimento para os catadores. “Na cooperativa você tem seu salário certo todo mês, para de puxar carroça na rua, tem dignidade e respeito e consegue melhorar a renda. Precisam olhar mais para os catadores, para as cooperativas e associações. A gente precisa de mais reconhecimento”, afirma.
O livro também retrata a trajetória de Dulce Vale, de Goiânia, que iniciou na reciclagem aos 40 anos, após perder o emprego como secretária e precisar reorganizar a vida como mãe solo e chefe de família. Atualmente, é presidente da Central e Forte e é uma das principais lideranças do movimento no país. “Quando você é mulher, já existem muitas barreiras para conseguir um trabalho. Aqui na cooperativa, a gente consegue conciliar, conversar, se apoiar. Por isso tem tantas mulheres. Aqui a gente encontra oportunidade e consegue seguir trabalhando, mesmo com as dificuldades do dia a dia”, afirma.
De acordo com o Anuário da Reciclagem 2024, são mais de 3 mil organizações de catadores mapeadas no país, reunindo mais de 70 mil trabalhadores formalizados em cooperativas. Esse número, no entanto, representa apenas uma parcela da categoria estimada pelo MNCR. Cerca de 800 mil pessoas vivem da atividade no Brasil. Juntos, esses trabalhadores são responsáveis por impulsionar a recuperação de materiais e fortalecer a cadeia da reciclagem no país.
Por: Cilene Jornalista: Catadoras de materiais recicláveis protagonizam livro sobre sustentabilidade e força feminina
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