A intolerância não pode ficar impune
JPCOBIROSCA
Esse debate sobre o modo de fazer política também precisa considerar o nível de agressividade que marcou as últimas eleições, especialmente o segundo turno. Houve relatos e registros de agressões, intimidações e ameaças — inclusive envolvendo funcionários públicos. Diante de casos filmados ou denunciados, é necessário que as autoridades competentes apurem os fatos com seriedade e imparcialidade.
A intolerância não pode ser tratada como algo normal. Quando ultrapassa o debate e se transforma em ameaça, agressão e violência — ferindo pessoas e, em casos extremos, tirando vidas —, precisa haver investigação e responsabilização, sempre com respeito ao devido processo legal. A Justiça deve agir com firmeza, sem perseguições e sem injustiças, para que crimes não fiquem sem resposta e situações assim não se repitam.
Vimos relatos de grupos que partiram para socos e pontapés contra adversários políticos, além de xingamentos e ameaças em espaços públicos. Algumas pessoas teriam ficado com medo de sair de casa ou de exibir suas bandeiras. Quando alguém deixa de expressar sua opinião por receio de sofrer violência, não estamos falando apenas de uma disputa eleitoral: estamos falando de um direito democrático ameaçado.
Também preocupa ver gestos e declarações que podem ser entendidos como ameaças, inclusive diante das câmeras, assim como denúncias de intimidação e agressão envolvendo agentes públicos. Cada caso precisa ser apurado com cuidado, sem generalizações, mas também sem ser ignorado. A violência política vai além das diferenças entre esquerda e direita: ela atinge a sociedade e enfraquece a democracia.
Como o país poderá avançar se a divergência continuar sendo tratada com medo e agressão? Estamos correndo o risco de piorar quando ameaças viram espetáculo e seus autores parecem se preparar para o próximo confronto, em vez de responder pelos próprios atos.
Por isso, é necessária uma investigação rigorosa dos casos e uma Justiça que cumpra seu papel com independência, equilíbrio e transparência. Também precisamos repensar a estrutura da Justiça brasileira e discutir uma reforma que fortaleça a confiança da população, garanta igualdade perante a lei e assegure que ninguém esteja acima dela.
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