A esquerda se divide para unir; a direita se une para separar

JPCOBIROSCA

Mais uma vez, a esquerda é criticada por suas diferenças e pelas divergências que surgem em seu próprio campo. Mas, muitas vezes, essas diferenças se transformam em possibilidades: possibilidades de encontro, de diálogo e de construção com os pés na realidade.

A verdade é que a esquerda costuma se organizar para vencer uma eleição. Divide responsabilidades, distribui espaços e administra o tempo com cuidado, para reduzir o risco de decepções e manter o grupo unido. Enquanto isso, parte da direita faz o caminho inverso: descredencia, desmonta, afasta e rompe. E, no fim, volta a ser derrotada.

A esquerda se divide para unir; já a direita, muitas vezes, se une para separar. Foi assim, a meu ver, que mais uma vez parte da direita contribuiu para a própria derrota: criando mitos autoritários, individualistas e, sobretudo, egoístas.

Às vezes, esquece que não vivemos mais em tempos nos quais os poderosos, acompanhados de capatazes e chicotes, podiam bater à porta e tomar o que desejavam, impedindo que os outros tivessem direitos. A política de hoje exige respeito, diálogo e participação.

A direita perde quando insiste no autoritarismo, na ideia de que alguém pode vencer uma eleição sozinho e, depois, governar sozinho. Foi o que se viu após a vitória de 2018: a postura de “quem manda sou eu” e a concentração das decisões ajudaram a produzir a derrota.

A esquerda, por outro lado, costuma distribuir responsabilidades, dar voz e vez a diferentes grupos e abrir espaço para alianças. Não renega todos aqueles que pensam diferente. E é também por essa postura que segue ocupando espaço e permanecendo no poder.

No fundo, talvez seja hora de superar essa velha disputa entre “esquerda” e “direita” como rótulos usados para diminuir quem pensa diferente. Essa divisão simplifica demais a realidade e tem feito mal ao debate público. Mas, enquanto partido e grupo político, a esquerda vem mostrando capacidade de articulação e, a cada eleição, dá uma aula de como conquistar espaço.

A direita precisa aprender uma lição fundamental: o poder emana do povo. Para alcançar qualquer objetivo, é preciso conquistar a confiança das pessoas, respeitá-las e governar para elas. O voto pertence ao povo — e é o povo quem deve estar no centro das decisões.

Também é preciso aprender a praticar a empatia e o respeito entre os próprios aliados. Ninguém chega ao poder para governar sozinho. Quando as decisões ficam concentradas e só uma pessoa manda e opina, o grupo se enfraquece. Já uma postura que cria correntes, abre portas e acolhe diferentes vozes pode construir respeito e fortalecer alianças.

Conhecer essa metodologia ajuda a entender por que a esquerda prevalece tantas vezes. Está na hora de a direita repensar sua maneira de fazer política: menos autoritarismo, mais escuta; menos vaidade individual, mais compromisso coletivo.

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CONSULTORIA POLÍTICA & DESENVOLVIMENTO Jadson d’Pádua | Birosca Diretor-presidente & especialista em mentalismo EDITORIAL DE ABERTURA Bem-vindos à primeira edição da nossa coluna. No Café com Birosca, acreditamos que a política não começa nas urnas, mas na mente. Nesta estreia, convido você a refletir sobre o alicerce invisível que sustenta grandes lideranças: a mentalidade. Sirva-se de uma xícara e boa leitura. A mentalidade é o primeiro passo: o alicerce invisível da política Muitos aspirantes à vida pública acreditam que a jornada começa com a filiação partidária, a formação de uma base eleitoral ou a contratação de uma equipe de marketing. No entanto, em meus anos de consultoria e de estudo do comportamento humano por meio do mentalismo, aprendi uma verdade fundamental: a política começa muito antes — no silêncio da própria mente. Há um abismo colossal entre “querer estar na política” e estar mentalmente preparado para ela. O desejo é o combustível, mas a mentalidade é o motor. Sem um motor calibrado, o combustível apenas queima, sem direção. Observo frequentemente indivíduos talentosos, com recursos e boas intenções, naufragarem antes mesmo de a campanha começar. O motivo? Fragilidade emocional e falta de autoconhecimento. A expertise que trazemos ao Café com Birosca não se limita às estratégias de voto: envolve também a construção do ser humano por trás do candidato. O mentalismo aplicado à consultoria política nos permite identificar padrões de comportamento, crenças limitantes e gatilhos emocionais que podem se tornar decisivos em um debate ou em uma crise de imagem. O autoconhecimento é a armadura do político moderno. Antes de se expor ao julgamento público — implacável e constante —, é preciso reconhecer as próprias vulnerabilidades. Quem não conhece suas sombras corre o risco de ser dominado por elas diante das câmeras. Uma mente treinada não reage impulsivamente às provocações: responde com estratégia. Essa é uma das diferenças entre o amador e o estadista. Imagine um candidato que, ao ser atacado por um oponente, perde a compostura. Ali, talvez não tenham faltado argumentos, mas controle emocional. Por outro lado, ao observar grandes figuras históricas, percebemos que a resiliência, a capacidade de compreender o ambiente e a empatia são frutos de um rigoroso trabalho interno. A mente molda a postura, o tom de voz e até as microexpressões que podem transmitir — ou abalar — a confiança. Para quem busca a reeleição, o desafio mental é outro: evitar a arrogância do poder e a cegueira do gabinete. É preciso manter a mente aberta e conectada às raízes que levaram à eleição, revisitando a própria trajetória com humildade e disposição para ouvir. Entrar na política sem preparar a mente é como navegar em mar aberto sem bússola. No Café com Birosca, nosso compromisso é oferecer não apenas o mapa, mas também compartilhar ferramentas para que cada liderança compreenda melhor a si mesma, enfrente os desafios com equilíbrio e permaneça conectada às pessoas que representa. Porque, antes de conquistar votos, é preciso conquistar clareza. E toda grande caminhada política começa dentro de nós. © 2026 Café com Birosca. Todos os direitos reservados.

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