O Respeito em Campo

JPCOBIROSCA

Ontem vi o Brasil chegar com aquela cara de sempre: confiança e pressa. No primeiro tempo parecia que estamos ainda contando com a história para nos guiar confiança de sobra, leitura de menos. O Japão, por outro lado, entrou como quem aprendeu a escutar o jogo: calmo, organizado, paciente. Não vinha para provar nada com bravata; vinha para construir.

Há momentos em que a pressa nos engana. Vi a Seleção perdida por alguns instantes, sem entender a cadência do rival. E vi também uma postura curiosa do comando: parecia satisfeito com o empate que empurraria a decisão para os pênaltis, como se a partida tivesse um roteiro já ensaiado. O time, porém, se movimentou se preocupou, buscou, suou. Foram os jogadores que tentaram dar sentido ao jogo, mesmo com um futebol às vezes confuso.

O Japão merece aplauso. Jogou com respeito: respeito pelo adversário, respeito pela bola, respeito pelo próprio projeto. Não entrou para humilhar; entrou para jogar. Quando teve a chance, não vacilou. E isso é um sinal claro: o futebol japonês cresce e cresce com postura.

Falta ao nosso olhar e às vezes ao nosso comando a a urgência de participar mais do jogo, de ser parceiro das jogadas, de contagiar o estádio com ânimo e direção. Nem sempre a técnica salva o torcedor do aperto no peito; muitas vezes é o gesto, a mudança na beira do campo, a coragem de arriscar que transformam um empate em vitória.

Ganhamos. A vitória é nossa, e devemos celebrá‑la. Mas é bom lembrar que vencer também é aprender. Aprender a reconhecer o mérito do outro, a não subestimar, a se reinventar. O adversário que se fortalece é convite para que também nos fortaleçamos com humildade, trabalho e respeito.

Saí do jogo com a alegria do resultado e com um recado: somos brasileiros, não desistimos nunca. Mas ser grande no futebol passa também por reconhecer quem cresce ao nosso lado e por aceitar que, às vezes, a lição vem vestida de camisola diferente.

E você? Como viu esse jogo como lição, como alerta ou como celebração?

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