O Dilema do Cargo Comissionado: Entre a Gratidão e o Profissionalismo

JPCOBIROSCA

A vida de quem ocupa um cargo comissionado é, muitas vezes, solitária e marcada por um conflito constante. É um papel vivido entre momentos de alegria e de profunda tristeza, onde a política muitas vezes atropela a vida pessoal e a ética profissional.

O cerne da questão aparece quando a lealdade é testada. É cruel quando a pessoa que te indicou muda de “bandeira” partidária e o comissionado, por gratidão ou vínculo, sente o peso de uma escolha. O conflito é claro: exercer o papel com seriedade, presença e honestidade, ou submeter-se a situações desgastantes apenas por uma dívida de gratidão?

Muitos gestores, porém, sabem enxergar além da política. Quando o indicador sai da gestão, mas o profissional permanece, os bons gestores — aqueles que valorizam a dedicação e o resultado — preferem manter quem trabalha, quem tem responsabilidade e quem traz resultados concretos. Ser profissional não é traição; é compromisso com a função pública. O verdadeiro ingrato não é quem permanece trabalhando com seriedade, mas sim aquele que exige lealdade cega em detrimento da dignidade de quem o indicou.

A realidade, porém, é dura. Existe um alto custo humano nisso tudo. São famílias inteiras que sofrem com a instabilidade, o medo de perder o sustento e as noites sem dormir, especialmente em épocas de eleição. Muitos vivem em uma espécie de “roleta russa”, sem saber se o dia de amanhã trará o desemprego.

*Qual é o caminho para sair desse ciclo?*

O alerta vai para todos que ainda se mantêm no meio dessa confusão: procure estudar, capacite-se e, acima de tudo, identifique-se com a sua profissão para além da política. Não deixe sua vida depender exclusivamente da indicação de alguém. O conhecimento técnico é o seu maior escudo.

No fim das contas, políticos sérios, de família e caráter, sabem que a gestão pública é sobre empatia. Eles não desligam um indicado apenas por uma mudança de lado político, desde que esse profissional continue a prestar um serviço de excelência. Um político de verdade sente orgulho de ver seu antigo indicado crescendo, bem-sucedido e estável. Ele não obriga, não induz ao erro e não machuca quem um dia caminhou ao seu lado.

A gestão pública precisa, urgentemente, de mais humanidade e menos jogo de poder.
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