Hospital da Restauração: um convite à transparência e à participação pública
JPCOBIROSCA
O Hospital da Restauração (HR) é referência em atendimento para pessoas de todo o estado de Pernambuco. Ao mesmo tempo, tem sido alvo de inquietações e relatos de falhas de infraestrutura, atendimento e acolhimento que merecem ser conhecidos, discutidos e esclarecidos. Este artigo não tem a intenção de imputar culpa, mas de provocar um diálogo público e responsável sobre a realidade interna do HR e sobre o papel das instituições encarregadas de fiscalizar e acompanhar a rede de saúde.
Solicitamos às autoridades — OAB, Ministério Público, deputados estaduais e federais, vereadores, conselhos profissionais e demais autarquias — que organizem visitas técnicas e auditorias independentes para mapear o funcionamento do hospital, piso a piso. Uma avaliação detalhada contribuirá para identificar o que funciona bem, o que precisa de correção imediata e onde recursos ou mudanças de gestão podem melhorar a resposta ao cidadão.
Transparência é condição fundamental em um hospital público. A população tem o direito de conhecer como são alocados recursos, quais serviços estão ativos em cada setor e quais protocolos de atendimento estão em vigor. Por isso, pedimos que a direção do HR e os órgãos de controle tornem públicos relatórios atualizados de estrutura, leitos, equipamentos, humanização do atendimento e itinerários de encaminhamento quando houver falta de vagas.
É igualmente importante que se escute quem vivencia o serviço: profissionais de saúde, pacientes, familiares e movimentos sociais. Ouvir diferentes perspectivas ajuda a construir um diagnóstico mais realista e soluções mais aderentes à necessidade da população. As denúncias e relatos que circulam merecem ser verificados com seriedade e técnica, não simplesmente desconsiderados nem amplificados sem apuração.
Chamamos também prefeitos e vereadores de todo o estado a se mobilizarem. O HR atende pessoas de diversas regiões — por isso cabe aos representantes locais acompanhar a condição do hospital e cobrar respostas dos gestores estaduais. Uma articulação ampla pode acelerar reformas estruturais, a aquisição de equipamentos e políticas de humanização que reduzam situações de vulnerabilidade no atendimento.
Por fim, propomos passos práticos para encaminhar a verificação e aproximar a população do processo de controle social:
• Solicitar visitas técnicas formais ao HR por meio de requerimentos das câmaras municipais e assembleia legislativa.
• Encaminhar pedidos de informação (Lei de Acesso à Informação) sobre estrutura, contratos e convênios relacionados ao HR.
• Registrar reclamações na Ouvidoria do SUS e, quando houver indícios mais graves, levar relatos ao Ministério Público para análise técnica.
• Promover encontros públicos com a direção do HR e representantes dos órgãos fiscalizadores para apresentação de achados e elaboração conjunta de um plano de melhoria.
Este é um convite à ação construtiva. O objetivo é que a sociedade pernambucana, em diálogo com suas instituições, conheça de forma transparente o que ocorre no Hospital da Restauração e que medidas efetivas sejam tomadas para garantir atendimento digno, seguro e eficaz para todos.
A população merece respostas: que as autoridades responsáveis assumam esse compromisso e que o HR seja aberto ao olhar técnico e à participação social.
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