Dois pesos, duas medidas: É hora de tirar a política do palco

JPCOBIROSCA

A política brasileira frequentemente parece um teatro, onde os atores mudam, mas o roteiro de contradições permanece o mesmo. A expressão “dois pesos, duas medidas” nunca foi tão atual, e ela resume a frustração de um cidadão que vê o sistema ser moldado apenas para manter o poder, ignorando a ética e a coerência.

O exemplo mais gritante dessa hipocrisia aparece no discurso sobre as instituições. Políticos que ocupam cadeiras por décadas, subitamente, passam a contestar sistemas que antes os beneficiavam. Quando o resultado é favorável, tudo está certo; quando a derrota se aproxima, o sistema é “manipulado”. É uma mudança de narrativa conveniente que não se sustenta diante de uma análise honesta. Se o sistema era legítimo ontem, por que hoje se torna o vilão? A resposta, quase sempre, não é a justiça, mas a conveniência.

Outro ponto que exige nossa atenção é a “temporada de denúncias”. Por que graves acusações de fatos ocorridos há anos só ganham luz nos meses que antecedem as eleições? Esse timing não é coincidência; é estratégia. Utiliza-se a justiça e a exposição midiática como ferramentas de campanha, atacando o adversário não pela integridade, mas pela conveniência eleitoral. Quem denuncia um erro apenas quando lhe interessa, mas se calou por anos, também deveria ser questionado. Afinal, a conivência é uma forma de participação no erro.

Mas quem é o maior prejudicado nesse jogo? O eleitor. Enquanto o debate se perde em acusações seletivas e defesas corporativistas, o cidadão é tratado como “massa de manobra” ou “burro de carga”. A política é tratada como um palco onde grupos de atores se revezam enquanto a realidade da população pouco muda.

Está na hora de mudar esse perfil. O eleitor precisa parar de apenas assistir ao espetáculo e começar a debater, estudar e, principalmente, exigir coerência. Não podemos aceitar o “para os amigos, tudo; para os inimigos, nada”. A eleição deve ser um momento de escolha de projetos e compromissos, não uma encenação de conveniências. Precisamos tirar a política do palco e trazê-la para a realidade, onde a regra vale para todos, sem exceção.
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