Autismo: combater o preconceito é essencial para diagnóstico e acolhimento

Com o Dia Mundial de Conscientização do Autismo se aproximando, especialista alerta para o papel da família e da sociedade na inclusão

Reforçando a importância do diagnóstico precoce, da inclusão e do respeito às diferenças, no próximo 2 de abril, o Dia Mundial de Conscientização do Autismo também chama atenção para um dos obstáculos ainda persistentes na vida de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA): o preconceito, presente na sociedade e dentro da própria família.

Mesmo com maior acesso à informação, comportamentos característicos do autismo ainda são frequentemente mal interpretados, gerando julgamentos, isolamento e atrasos no diagnóstico. Em muitos casos, sinais claros da condição são ignorados ou minimizados, o que compromete o desenvolvimento e o acesso a intervenções adequadas.

De acordo com o Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 2,4 milhões de pessoas têm diagnóstico de TEA no Brasil, o equivalente a aproximadamente 1,2% da população. Desse total, 1,4 milhão são homens e 1 milhão são mulheres, com maior prevalência entre crianças de 5 a 9 anos.

No entanto, a psicopedagoga e analista de comportamento, diretora da clínica Nuno Desenvolvimento, Cinthia Cardoso, alerta que o número real pode ser ainda maior, devido à subnotificação e à dificuldade de diagnóstico, muitas vezes agravada por barreiras sociais e familiares. “Nesse contexto, a condição pode estar mais perto do que se imagina e, em muitos casos, permanece sem diagnóstico e tratamento adequado por anos”, explica.

Sinais

Caracterizado por diferenças no desenvolvimento neurológico, o autismo afeta a comunicação, o comportamento e a interação social em diferentes níveis de suporte, acompanhando a pessoa ao longo da vida. Cinthia explica que não existe um único tipo de autismo. “Cada caso é único. Alguns precisam de pouco suporte, enquanto outros precisam de muito. As habilidades e desafios variam bastante, mas, com apoio adequado, há desenvolvimento e qualidade de vida”, afirma.

De acordo com a especialista, a pessoa com TEA pode apresentar sinais, como movimentos repetitivos (balançar o corpo, bater as mãos, girar objetos), dificuldade para iniciar ou manter conversas e em entender regras sociais implícitas e incômodo intenso com sons, luzes, cheiros ou texturas. Além disso, podem não responder quando chamado pelo nome, nem sempre gostam de contato visual ou muita socialização, possuem comportamentos e interesses específicos, necessidade maior de rotina e previsibilidade. “Nem todos apresentam todos os sinais, por isso, somente um profissional de saúde pode fazer o diagnóstico”, reforça.

Diagnóstico

Além do preconceito social, a negação dentro do próprio núcleo familiar ainda é um dos principais entraves para o diagnóstico precoce. Segundo Cinthia, é comum que sinais sejam atribuídos a características passageiras, como timidez ou dificuldade de aprendizagem. “Existe, muitas vezes, um medo do rótulo ou uma dificuldade de aceitação. Isso pode atrasar a busca por ajuda especializada e impactar diretamente o desenvolvimento da criança”, explica.

“O autismo não deve ser visto com medo ou julgamento, mas com empatia, informação e acolhimento. Compreender é o primeiro passo para cuidar”, enfatiza. Por isso, ao notar sinais, é preciso procurar um profissional especializado para diagnóstico preciso.

Família também precisa de suporte

A especialista ressalta que a saúde mental das famílias também precisa de atenção. “Pais e responsáveis enfrentam sobrecarga emocional, insegurança, dificuldade de acesso a serviços e isolamento social. Por isso, é fundamental oferecer não só atendimento à pessoa com TEA, mas também suporte e orientação para toda a família”, completa.

Na grande maioria dos casos, o cuidado é ainda mais voltado para as mães. “A carga recai de forma mais intensa sobre elas, que costumam assumir a maior parte dos cuidados diários. Além da sobrecarga emocional e da rotina exigente, muitas ainda enfrentam até mesmo o abandono por parte do companheiro e a ausência de uma rede de apoio estruturada, o que torna o acompanhamento ainda mais desafiador”, afirma.

Acolhimento e informação como caminhos

É nesse contexto que iniciativas como a da clínica Nuno Desenvolvimento ganham relevância. Localizada no bairro do Derby, região central do Recife, a clínica atua com uma abordagem multidisciplinar e humanizada, buscando o desenvolvimento clínico e, principalmente, a naturalização do autismo na sociedade.

Com atendimento acessível para o público de 2 a 80 anos, a clínica acolhe pessoas com TEA e outras diversas condições, oferecendo serviços como fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia (ABA e TCC), psicomotricidade, fisioterapia, nutrição, psicopedagogia, musicoterapia, educação física especializada, zooterapia e avaliação neuropsicológica.

Além disso, promove projetos gratuitos como o Nuno Teens, voltado ao desenvolvimento de habilidades sociais em adolescentes, e o Curso de Aplicação e Treinamento Parental, que oferece orientação e suporte para familiares dos pacientes atendidos. A clínica está localizada na Rua Viscondessa do Livramento, no Derby. Informações e agendamentos podem ser feitos pelo telefone (81) 98226-0838.

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CAFÉ COM BIROSCA EDIÇÃO 01 - 2026 LEITURA ESTIMADA: 7 MIN CONSULTORIA POLÍTICA & DESENVOLVIMENTO Jadson d'Pádua | Birosca Diretor Presidente & Especialista em Mentalismo EDITORIAL DE ABERTURA Bem-vindos à primeira edição da nossa coluna. No Café com Birosca, acreditamos que a política não começa nas urnas, mas na mente. Nesta estreia, convido você a refletir sobre o alicerce invisível que sustenta grandes lideranças: a mentalidade. Sirva-se de uma xícara e boa leitura. A Mentalidade é o Primeiro Passo: O Alicerce Invisível da Política uitos aspirantes à vida pública acreditam que a jornada começa com a filiação partidária, a formação de uma base eleitoral ou a contratação de uma equipe de marketing. No entanto, em meus anos de consultoria e estudo do comportamento humano através do mentalismo, aprendi uma verdade fundamental: a política começa muito antes, no silêncio da própria mente. Há um abismo colossal entre "querer estar na política" e estar "mentalmente preparado" para ela. O desejo é o combustível, mas a mentalidade é o motor. Sem um motor calibrado, o combustível apenas queima sem direção. Observo frequentemente indivíduos talentosos, com recursos e boas intenções, naufragarem antes mesmo de a campanha começar. O motivo? Fragilidade emocional e falta de autoconhecimento. A expertise que trazemos no Café com Birosca não é apenas sobre estratégias de voto, mas sobre a construção do ser humano por trás do candidato. O mentalismo aplicado à consultoria política nos permite identificar padrões de comportamento, crenças limitantes e gatilhos emocionais que podem ser fatais em um debate ou em uma crise de imagem. O autoconhecimento é a armadura do político moderno. Antes de se expor ao julgamento público — que é implacável e constante —, é preciso ter mapeado suas próprias vulnerabilidades. Quem não conhece suas sombras será dominado por elas diante das câmeras. Uma mente treinada não reage impulsivamente a provocações; ela responde estrategicamente. Essa é a diferença entre um amador e um estadista. Imagine um candidato que, ao ser atacado por um oponente, perde a compostura. Ali, não foi a falta de argumentos que o derrotou, mas a falta de controle mental. Por outro lado, observe as grandes figuras históricas. A resiliência, a capacidade de ler o ambiente e a empatia calculada são frutos de um trabalho interno rigoroso. A mente molda a postura, o tom de voz e até a microexpressão facial que transmite (ou destrói) a confiança. Para aqueles que buscam a reeleição, o desafio mental é outro: evitar a arrogância do poder e a cegueira de gabinete. É preciso manter a mente aberta e conectada às raízes que o elegeram, revisitando sua trajetória com humildade estratégica. Entrar na política sem preparar a mente é como navegar em mar aberto sem bússola. No Café com Birosca, nosso compromisso é oferecer não apenas o mapa, mas ensinar você a © 2026 Café com Birosca. Todos os direitos reservados.

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