A desorganização da direita e o risco de uma morte política programada em Pernambuco
JPCOBIROSCA
A direita de Pernambuco perdeu espaço por falta de estratégia, unidade e decisão. A demora para definir o candidato ao Senado, entre Miguel Coelho, Mendonça Filho, Eduardo da Fonte e Túlio Gadêlha, abriu uma lacuna importante e transmitiu ao eleitor a imagem de um grupo sem comando.
No meio da campanha, a confusão aumentou com a possibilidade de três candidaturas, fragmentando forças e criando dúvidas justamente quando era necessário construir convergência. Em vez de uma composição planejada, a indefinição enfraqueceu a própria direita.
Quem joga junto precisa estar preparado para vencer ou perder unido. Entretanto, a prioridade de fortalecer a direita foi quebrada por disputas internas, decisões tardias e movimentos que fizeram muitos eleitores desconfiarem de que tudo pudesse ter sido feito de propósito.
O episódio atingiu nomes de grande relevância em Pernambuco: Mendonça Filho, liderança histórica; Eduardo da Fonte, deputado federal com forte presença política; Miguel Coelho, jovem liderança de Petrolina; e Túlio Gadêlha, deputado federal com trajetória própria e reconhecimento público.
Miguel Coelho vinha construindo uma carreira sólida e possui força política em Petrolina e em outros municípios. Eduardo da Fonte também tem cidades que reconhecem sua liderança e poderiam desejar sua candidatura a prefeito. Mendonça Filho carrega experiência e peso político, enquanto Túlio Gadêlha representa uma liderança com espaço próprio no cenário pernambucano.
Mesmo assim, esses nomes acabaram expostos a críticas, piadas e manchetes que contribuíram para desgastar suas imagens. A entrada de Túlio Gadêlha no processo, em vez de organizar o cenário, teria ampliado a confusão. A impressão deixada foi a de que ele acabou sendo utilizado em uma estratégia sem clareza, prejudicando não apenas a si próprio, mas também Mendonça Filho, Eduardo da Fonte e Miguel Coelho.
O problema não foi apenas a escolha de um ou outro nome. O ponto central foi a ausência de planejamento. Uma composição envolvendo Mendonça Filho, Eduardo da Fonte e Miguel Coelho poderia representar uma alternativa legítima e competitiva. O que faltou foi maturidade para construir uma solução coletiva, respeitando a importância de cada liderança.
Esse comportamento lembra outros episódios em que carreiras promissoras teriam sido enfraquecidas justamente quando estavam em ascensão, como ocorreu com Silvio Costa Filho e Daniel Coelho. Por isso, cresce entre os eleitores a desconfiança de que não se trata apenas de erro ou incompetência, mas de uma possível tentativa deliberada de impedir o fortalecimento de determinados nomes.
Quando lideranças importantes são retiradas do páreo, transformadas em motivo de piada e submetidas a manchetes destinadas a desgastá-las, a política deixa de ser uma disputa saudável e passa a parecer uma operação de destruição de reputações. É o que muitos já classificam como uma “morte política programada”.
A direita pernambucana precisa refletir. Se continuar dividida, atrasada e conduzida por interesses individuais, perderá espaço não apenas nas eleições, mas também diante da sociedade. O eleitor quer clareza, união e propostas. Não aceita mais assistir a lideranças fortes sendo sacrificadas por erros estratégicos ou disputas internas.
O futuro da direita em Pernambuco dependerá da capacidade de reconhecer os próprios erros, respeitar seus quadros e construir uma estratégia comum. Sem isso, Mendonça Filho, Eduardo da Fonte, Miguel Coelho e Túlio Gadêlha continuarão sendo prejudicados e o maior derrotado será o próprio projeto político que pretendia representar a mudança.
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