O Preço da Traição: Eleitores e Colaboradores Abandonados na Política

JPCOBIROSCA

Quase quatro anos se passaram desde a última eleição, e um alerta ecoa para os políticos de plantão: as promessas feitas, as portas batidas, as conversas, as discussões e a própria eleição parecem ter sido esquecidas por muitos. A verdade é que a compreensão do processo democrático, para alguns, se limita a um único dia, quando a urna é acionada. Mas a realidade é mais complexa e, muitas vezes, mais cruel.

O eleitor, aquele que deposita sua confiança e seu voto, é apenas uma parte da história. Existe um outro grupo, muitas vezes mais dedicado e sacrificial: o colaborador de campanha. Este é o cidadão que não apenas vota, mas que se dedica incansavelmente. É quem vai para as ruas, segura a bandeira, distribui o santinho, visita famílias, apresenta o candidato, muitas vezes desconhecido pelo eleitorado, e coloca sua própria reputação em jogo. Esse batalhador, que dedica horas a fio, sacrifica momentos com a família e até destrói relações pessoais em prol de um ideal, espera, no mínimo, um reconhecimento. Ele representa o candidato, é a voz que muitos eleitores confiam quando o próprio candidato mal aparece.

Acontece que, após a conquista do cargo, a gratidão parece evaporar. O que resta são os ecos de acordos não cumpridos, promessas vazias e uma postura de descaso que beira a covardia. O colaborador, que foi a linha de frente, que batalhou incansavelmente, que dedicou sua energia e esperança, é frequentemente ignorado. O candidato que antes o recebia de braços abertos, agora finge não vê-lo, muda de número ou transfere a responsabilidade para terceiros que, por vezes, nem sequer participaram da campanha. Essa falta de respeito com quem foi essencial para a vitória é uma traição em dobro: ao eleitor que confiou e ao colaborador que lutou.

É vergonhoso testemunhar políticos que agem dessa forma, subestimando a inteligência e a resiliência daqueles que os colocaram no poder. A eleição não é um evento isolado, mas um ciclo que se renova a cada dois anos. É hora de os políticos repensarem suas condutas e o valor que dão às pessoas que os ajudaram. Aquele que se dedica à política deve entender que a responsabilidade vai além do mandato; ela se estende à valorização de cada pessoa que acreditou em seu projeto, seja através do voto ou da dedicação incansável em tempos de campanha. O preço dessa traição é alto, e a memória de quem foi desprezado é longa.

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