Onde o Coração Verde e Amarelo se Perdeu
JPCOBIROSCA
Dizem que o Brasil para quando a Seleção entra em campo. É verdade. O comércio esvazia, as ruas se calam, o país inteiro respira no mesmo ritmo, movido pelo mesmo pulsar verde e amarelo. Mas, desta vez, a dor da derrota teve um gosto diferente. Não foi a dor de quem perdeu no jogo, foi a dor de quem percebeu que, há muito tempo, já não somos nós quem jogamos.
Eu faço questão de dizer, com todas as letras: nós não perdemos. Eles perderam. Eles, os donos do espetáculo, aqueles que decidem as escalações, o técnico, a hora de entrar e a de sair, tudo longe dos olhos e do coração de quem realmente financia esse sonho com o nosso dinheiro e com a nossa esperança. O Brasil não participou desta Copa; o Brasil apenas assistiu, como um convidado que pagou a conta de uma festa na qual não pôde escolher nem a música.
O que mais me desmonta não é o placar. É o olhar do meu filho quando ele me pergunta: “Pai, por que eles não colocam aquele jogador que todo mundo está pedindo? Por que o Brasil se humilha tanto? Quem manda nessa Seleção, afinal?”. São perguntas que não têm resposta, porque a lógica não é a do talento ou da meritocracia é a da FIFA, do marketing e da política. Como explicar para uma criança que a nossa maior força, o esporte que deveria ser nossa bandeira de união, foi transformada em um roteiro pré-escrito, onde o destino final parece já ter sido traçado para atender a interesses que pouco se importam com a nossa nação?
Enquanto o torcedor chora genuinamente porque para nós a camisa é pele , a imprensa busca o clique, a polêmica, o esculacho. Estão mais preocupados em discutir a próxima Copa, em criar narrativas de Messi ou Cristiano, do que em sentir o peso da frustração de um país que viu o seu orgulho ser usado como peça de um tabuleiro.
A Seleção deveria ser nossa força armada, protegida pela qualidade e pela garra. Mas, quando a política se torna a prioridade e o “time” vira produto, o que resta ao brasileiro é o amargo silêncio de quem foi excluído da própria festa. Continuamos com o coração verde e amarelo, é verdade. Mas o futebol, este que vivemos hoje, parece cada vez mais distante daquele Brasil que a gente, na nossa simplicidade e fé, ainda insiste em querer ver vencer.
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