Recife lança chamada de ideias para soluções de refúgio climático no Centro da cidade

Chamada de Ideias do FICOL 2 selecionará proposta para estrutura temporária de proteção contra sol e chuva no entorno do Pátio de São Pedro; inscrições começam em 08 de outubro

Como tornar o Centro do Recife mais confortável para quem circula pela região, especialmente diante das altas temperaturas? Essa é uma das questões que estão na origem da Chamada de Ideias do Projeto FICOL 2, que vai selecionar uma proposta para criar um refúgio climático temporário e reversível no entorno do Pátio de São Pedro. A seleção será aberta a equipes de todo o Brasil, com inscrições de 08 de outubro a 16 de novembro de 2026 pelo site https://chamadadeideias.org.br/. A iniciativa é realizada pela Agência Recife para Inovação e Estratégia (ARIES) e pela Prefeitura do Recife, por meio do Gabinete do Centro do Recife (Recentro) e Secretaria de Relações Institucionais (SRI), através da sua Executiva de Relações Internacionais, com o apoio internacional da agência SAMOA, de Nantes Métropole, e financiamento da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).

O Projeto FICOL 2 integra a cooperação entre Recife e Nantes, parceria internacional mantida entre as duas cidades desde 2003 e renovada em 2023. Com financiamento da AFD, o projeto reúne ações voltadas à transição ecológica, inclusão social e de gênero, inovação urbana, cultura e valorização dos espaços públicos no Centro do Recife. Nesta nova etapa, experiências desenvolvidas em Nantes nas áreas de experimentação urbana e adaptação climática servem de inspiração para criação de soluções adaptadas ao contexto recifense, contribuindo para a construção de soluções conectadas aos desafios e às características do território.

É nesse contexto que surge a Chamada de Ideias. Pessoas jurídicas de qualquer estado brasileiro poderão formar equipes multidisciplinares para apresentar propostas de uma estrutura capaz de oferecer proteção contra sol e chuva, conforto, ventilação e melhores condições de permanência no espaço público. A solução também deverá considerar acessibilidade e segurança, utilizar materiais adequados em uma estrutura temporária. Por estar em uma área de importância histórica, a intervenção não poderá provocar alterações permanentes no conjunto existente.

A proposta selecionada será implantada e testada no Centro do Recife. As três melhores ideias receberão, juntas, R$ 50 mil em premiação: R$ 25 mil para o primeiro lugar, R$ 15 mil para o segundo e R$ 10 mil para o terceiro. Além do prêmio, a equipe vencedora será contratada para desenvolver o projeto executivo, produzir, transportar, instalar e posteriormente desmontar o refúgio climático. Após uma etapa de validação com o território, a estrutura deverá permanecer em funcionamento por cerca de seis a oito meses, permitindo observar seu uso e reunir aprendizados sobre soluções de adaptação climática em espaços públicos.

A escolha do local e os critérios da chamada foram orientados por uma pesquisa realizada pela Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP), um dos parceiros acadêmicos do Projeto FICOL 2. Foram aplicados 76 questionários para entender como diferentes grupos utilizam os espaços públicos no entorno do Pátio de São Pedro e como percebem questões como calor, sombra, conforto térmico, permanência e segurança. O calor e a exposição ao sol apareceram 37 vezes entre os principais incômodos apontados, enquanto a falta de sombra ou abrigo foi mencionada em 13 respostas.

Os dados também mostram que as condições climáticas interferem na permanência das pessoas. Entre as sugestões para tornar o espaço mais agradável estão mais sombra, vegetação e água. Vinte e oito entrevistados pediram mais bancos e 51 afirmaram que permaneceriam por mais tempo no local caso fossem realizadas melhorias. A pesquisa também registrou questões relacionadas à segurança: 43 menções à sensação de insegurança e 37 pessoas que disseram nunca se sentir seguras no espaço.

A chamada visa transformar parte dos desafios identificados em uma experimentação urbana de pequena escala para testar, no próprio território, alternativas que possam melhorar as condições de conforto e permanência e, ao mesmo tempo, gerar conhecimento para futuras intervenções em espaços públicos.

Para a presidente da ARIES, Mariana Pontes, a iniciativa aproxima a cooperação internacional dos desafios concretos da cidade. “Para a ARIES, executar localmente o FICOL 2 significa transformar uma cooperação internacional em experiências concretas no território. A iniciativa conecta conhecimento internacional, instituições locais e os desafios do Centro do Recife, reforçando a importância de experimentar soluções e gerar conhecimento para o futuro urbano da cidade.”

Na perspectiva da gestão do Centro, a chefe do gabinete do Centro do Recife (Recentro), Ana Paula Vilaça, destaca a importância de considerar as características do território na intervenção. “O Centro do Recife é um território vivo, com uma dinâmica intensa de trabalho, comércio, cultura e circulação, onde precisamos criar melhores condições de permanência e convivência. A Chamada de Ideias permite experimentar uma solução temporária e reversível, conciliando conforto, uso do espaço público e valorização do patrimônio.”

Já o secretário executivo de Relações Internacionais da Prefeitura do Recife, Marcos Toscano, ressalta o papel da parceria entre as cidades. “A cooperação internacional entre Recife e Nantes tem como uma de suas principais forças a capacidade de transformar intercâmbio em iniciativas concretas. O FICOL 2 amplia essa trajetória ao aproximar instituições, universidades, profissionais e territórios em torno de desafios urbanos comuns, abrindo essa troca para profissionais de diferentes regiões do Brasil.”

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