Reforma Tributária: empresas que adiarem adaptação podem pagar a conta depois
Com a aproximação dos próximos marcos da Reforma Tributária, especialistas alertam que as empresas que deixarem a adaptação para a última hora poderão enfrentar custos maiores, dificuldades operacionais e perda de competitividade. Embora ainda existam discussões sobre ajustes no cronograma de implementação, as primeiras adequações relacionadas ao novo modelo tributário estavam previstas para começar em agosto, tornando este o momento ideal para revisar processos, preparar equipes e atualizar sistemas.
O cronograma da reforma avança gradualmente nos próximos anos. Em 2027, entram em vigor a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto Seletivo, substituindo tributos como PIS e Cofins. Entre 2029 e 2032 ocorrerá a transição entre o atual modelo e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), com redução progressiva do ICMS e do ISS. A migração será concluída em 2033, quando o novo sistema tributário passará a funcionar plenamente.
Para o contador e sócio da Matriz Contábil, Paulo Marostica, o principal erro é acreditar que a preparação deve começar apenas quando as novas obrigações se tornarem definitivas.
“Existe uma tendência de muitos empresários aguardarem a definição de todos os detalhes para só então agir. Esse pode ser um erro. Quando as exigências entrarem em vigor, será preciso que os sistemas estejam prontos, as equipes treinadas e os processos revisados. Isso não acontece de um dia para o outro”, afirma.
Segundo Marostica, a reforma tributária representa uma mudança estrutural na gestão das empresas e não apenas na forma de recolher impostos. “Essa reforma não é uma mera troca de alíquota. Ela muda a forma de administrar a empresa. Não é uma agenda exclusiva da contabilidade ou do advogado tributarista. Ela exige que empresários, gestores financeiros, equipes comerciais e áreas operacionais entendam como o novo sistema funciona para tomar decisões mais estratégicas”, aponta.
Entre as principais adaptações estão a atualização dos sistemas de gestão, a revisão de contratos com clientes e fornecedores, a reorganização dos processos internos e a capacitação das equipes. Isso porque, após a publicação das regras técnicas, os desenvolvedores precisam adequar os softwares, realizar testes e disponibilizar as atualizações para que as empresas possam validar seus processos antes da obrigatoriedade.
“Primeiro o governo publica os layouts e as especificações técnicas. Depois, as empresas de tecnologia precisam desenvolver as soluções, realizar testes e corrigir inconsistências. Só então as empresas conseguem adaptar suas rotinas. Esperar a obrigatoriedade significa reduzir o tempo disponível para fazer tudo isso com segurança”, explica.
Outro impacto importante será percebido na própria estratégia dos negócios. A reforma altera a lógica da formação de preços, do aproveitamento de créditos tributários e da relação entre clientes e fornecedores, exigindo uma integração cada vez maior entre as áreas fiscal, financeira, comercial e operacional.
Para Paulo Marostica, o período que antecede a implementação definitiva das novas regras deve ser encarado como uma oportunidade para fortalecer a gestão e minimizar riscos. “Independentemente de haver novos ajustes no cronograma, a necessidade de adaptação permanece. As empresas que utilizarem esse período para revisar processos, organizar controles internos, atualizar sistemas e preparar suas equipes chegarão muito mais seguras aos próximos marcos da reforma e poderão transformar essa mudança em uma vantagem competitiva”, conclui.
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